Andrey do Amaral: agente literário, autor, professor de literatura

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Brasília, Distrito Federal, Brazil
Andrey do Amaral (1976), professor de literatura, licenciado em Letras com pós-graduação em Língua Portuguesa, Gestão Cultural, Educação a Distância, Acessibilidade Cultural e um MBA em Marketing. Com seu trabalho, recebeu — entre outros — prêmios da Fundação Biblioteca Nacional (2002), Ministério da Cultura (2008), Fundação Casa de Rui Barbosa (2010), Letras Nordestinas (2011). Além destes, a Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) concedeu-lhe um prêmio por suas iniciativas de projetos socioculturais (2014). Seus livros autorais foram publicados pela editora Ciência Moderna. Dedica-se à pesquisa da vida/obra do poeta paraibano Augusto dos Anjos. Presta consultoria sobre projetos sociais e editoriais, desenvolvendo produtos nessas áreas. Trabalhou nas Diretorias de Direitos Intelectuais e de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, ambas do MinC. É parecerista de projetos culturais do Ministério da Cultura, das Secretarias de Cultura do Distrito Federal e do Estado do Mato Grosso do Sul e dos municípios de Uruaçu-GO, Campo Grande-MS e Lages-SC. É também agente literário de grandes autores nacionais.

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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Artigo sobre Moacir C. Lopes

TAMBÉM DO QUIXADÁ, E BOM COMO RACHEL
por Edmílson Caminha

Para qualquer cidade do interior cearense, a condição de berço de um grande escritor já é motivo de honra; maior ainda se forem dois os filhos ilustres. É o caso de Quixadá (ou “do” Quixadá, com o artigo que lhe acrescenta o povo), onde nasceram Rachel de Queiroz (natural de Fortaleza, mas que se dizia quixadaense) e Moacir C. Lopes. “Moacir o quê?”, devem perguntar-se muitos leitores, por nunca terem ouvido falar nele. Realmente: se todos conhecem a autora de “O quinze”, poucos sabem do romancista de “A ostra e o vento”, que se igualava à conterrânea em maestria e grandeza, nascido em 1927 e falecido em 21 de novembro de 2010, no Rio de Janeiro, aos 83 anos.

Órfão de pai e mãe, criado por um tio que o maltrata, o adolescente Moacir Costa Lopes foge de casa aos 15 anos e segue para Maranguape, onde trabalha no comércio, faz poesia e escreve cartas, a dinheiro, para clientes em trânsito. Localizado pelo tio, regressa à capital e entra para a Escola de Aprendizes Marinheiros. Na Segunda Grande Guerra, já incorporado à tropa, embarca em navios que cumprem missões de comboio e patrulhamento, especializando-se em radar e tática anti-submarina. Viaja pelo Brasil e pelo exterior, enquanto lê os clássicos e vive as aventuras de um marinheiro, fundamentos da carreira de escritor a que viria consagrar-se.

Em Porto Alegre, procura Érico Veríssimo; em Natal, bate à porta de Câmara Cascudo, que sabiamente lhe sugere contar histórias sobre a vida no mar. Entre um e outro memorando que prepara como datilógrafo do contratorpedeiro Baependi, começa a escrever o romance “Maria de cada porto”, obra de estreia que lhe dá, em 1959, os prêmios Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras, e Fábio Prado, da União Brasileira de Escritores. Rachel de Queiroz saúda entusiasticamente o livro como “uma novidade, uma pungência, autenticidade sofrida, que já deixou de ser documento para ser, em verdade, material artístico genuíno. Uma pureza de intenção, uma espécie de rebentar, de sair da terra como uma planta rebenta...” Para Câmara Cascudo “não há, no Brasil, romance nem livro parecido, escrito por um marinheiro legítimo”, autor que, na opinião de Jorge Amado, é “romancista até debaixo d’água” (trocadilho talvez, referente à passagem do colega pela Marinha).

Depois vieram mais romances: “Chão de mínimos amantes” (1961), “Cais, saudade em pedra” (1962), “A ostra e o vento” (1964), “Belona, latitude noite” (1968), “Por aqui não passaram rebanhos” (1972), “O passageiro da Nau Catarineta” (1982), “Onde repousam os náufragos” (2003) e “As fêmeas da Ilha da Trindade” (2006), a par de outras obras. Nessa rica e extensa ficção, Moacir C. Lopes impressiona pela maestria com que compõe personagens, elabora diálogos e manuseia o tempo, esse importante (e perigoso...) elemento da criação romanesca. Foi traduzido na Rússia, na Itália, na República Tcheca e na Bulgária, além das adaptações para o rádio feitas em Portugal e na Polônia. Em 1997, o cineasta Walter Lima Jr. filma “A ostra e o vento”, com música-tema de Chico Buarque e as brilhantes interpretações de Leandra Leal, Fernando Torres e Lima Duarte.

Com a esposa e colega escritora Eduarda Zandron, Moacir funda, em 1969, a Editora Cátedra, que publica cerca de mil obras de autores brasileiros, a maioria estreantes. Por duas vezes se elege presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro, quando se impõe pelo trabalho em favor dos direitos autorais e pela justa remuneração que se deve aos profissionais da escrita.

Em meio ao décimo segundo romance que pretendia lançar ainda em 2010, Moacir C. Lopes faleceu admirado pela crítica e por um pequeno grupo de leitores. Embora nunca seja tarde para que venha a descobri-lo quem jamais o leu, porque os escritores passam, mas os bons livros não: descansam em profundo e às vezes longo silêncio, à espera de mãos que os resgatem e de olhos que lhes deem vida.

Edmílson Caminha é servidor público federal da Câmara dos Deputados.

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